Gestão participativa de Trilhos Ecoculturais: Uma chave para o turismo sustentável

A crescente popularidade dos trilhos ecoculturais no turismo sustentável requer novas abordagens para a sua gestão e desenvolvimento. Um estudo recente publicado no Journal of Outdoor Recreation and Tourism por uma equpa do CinTurs - Centro de Investigação em Turismo, Sustentabilidade e Bem-Estar da Universidade do Algarve, Goda Lukoseviciute, Claudia Helena Henriques, Luís Nobre Pereira e Thomas Panagopoulos, apresenta uma estratégia participativa que promete transformar a gestão destes espaços, garantindo a preservação dos recursos naturais e culturais enquanto proporciona experiências memoráveis aos visitantes.

Praia do Vale Espinhaço / Percurso dos Sete Vales Suspensos.
Foto: Ana Rey from Sevilla, España, CC BY-SA 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0>, via Wikimedia Commons

Num contexto de crescente interesse pelo turismo sustentável, os trilhos ecoculturais têm-se destacado como uma solução que combina atividade recreativa com a valorização do património natural e cultural. Contudo, a gestão eficaz desses trilhos exige uma abordagem que envolva todas as partes interessadas e que equilibre as necessidades de conservação com as expectativas dos visitantes. Por outras palavras, a integração das comunidades locais na gestão das rotas é fundamental para o sucesso e sustentabilidade dos projetos. Esta colaboração, segundo os autores, permite identificar e priorizar os investimentos necessários e promover uma visão partilhada sobre a preservação e utilização dos trilhos.

O estudo propõe um plano de gestão detalhado que orienta os gestores paisagísticos a focarem-se nas prioridades de conservação e na valorização dos recursos ecoculturais. Este plano visa garantir que os trilhos não só preservam o ambiente, mas também enriquecem a experiência dos visitantes.

Melhorar a experiência dos visitantes é crucial para o sucesso dos trilhos ecoculturais. A investigação sugere que a implementação de estratégias de marketing eficazes, a par com com uma gestão participativa, pode aumentar a atratividade dos trilhos e promover um turismo mais responsável e sustentável.

O percurso "Sete Vales Suspensos", no concelho de Lagoa (Algarve), foi utilizado como estudo de caso para desenvolver e testar a estratégia proposta. Este trilho é conhecido pelas suas paisagens deslumbrantes de falésias calcárias e praias isoladas, bem como pelo seu rico património cultural. Através da implementação de um plano de gestão participativa, o trilho conseguiu equilibrar a conservação ambiental com o desenvolvimento turístico, proporcionando uma experiência enriquecedora e sustentável.

A identificação dos níveis essenciais de investimento e a programação adequada, por outro lado, são cruciais para garantir a sustentabilidade económica e social dos trilhos. Este planeamento permite que os gestores antecipem e mitiguem ameaças futuras, mantendo os trilhos em condições ideais. Os gestores paisagísticos devem definir claramente as prioridades de gestão, focando-se na preservação dos ativos naturais e culturais enquanto proporcionam uma experiência enriquecedora aos visitantes, equilíbrio fundamental para a longevidade e sucesso dos trilhos ecoculturais.

O artigo sublinha ainda importância de uma abordagem participativa e integrada na gestão de trilhos ecoculturais. Ao envolver as comunidades locais e utilizar estratégias de marketing eficazes, é possível promover um turismo sustentável que valorize quer o ambiente quer o património cultural. A aplicação das estratégias propostas no trilho "Sete Vales Suspensos" demonstra que, com um planeamento cuidadoso e uma gestão colaborativa, é possível criar experiências turísticas de excelência.

Principais Conclusões:

  • A colaboração comunitária é essencial para o sucesso e sustentabilidade dos trilhos ecoculturais.
  • Um plano de gestão detalhado ajuda a preservar o ambiente e a enriquecer a experiência dos visitantes.
  • Estratégias de marketing eficazes e gestão participativa aumentam a atratividade e promovem o turismo responsável.


Fonte (pdf): Lukoseviciute, G., Henriques, C. H., Pereira, L. N., & Panagopoulos, T. (2024). Participatory Development and Management of Eco-Cultural Trails in Sustainable Tourism Destinations. Journal of Outdoor Recreation and Tourism.

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