Boas práticas de turismo responsável nos países nórdicos: Reflexões e caminhos para a sustentabilidade

A finlandesa Jamk University of Applied Sciences acaba de publicar a obra "Responsible Tourism Best Practices in the Nordic Countries", oferecendo uma análise sobre as melhores práticas de turismo responsável nos países nórdicos. O livro, em domínio público, destaca o papel do indivíduo e a importância da cooperação eficaz para promover um turismo sustentável, refletindo sobre os desafios e as soluções que emergem em destinos como Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Uma leitura fundamental para gestores, técnicos e académicos e todos aqueles envolvidos na transição para um turismo mais responsável.

Trata-se basicamente de uma coletânea de artigos que examinam as iniciativas e estratégias implementadas nos países nórdicos para promover o turismo responsável. A obra reúne contribuições de investigadores de diversas instituições e é dividida em dois temas centrais: o desenvolvimento de competências e o papel do indivíduo no turismo responsável, e a importância da cooperação eficaz para a sustentabilidade.

Os autores analisam como as práticas de turismo sustentável se desenvolveram nas regiões nórdicas, oferecendo exemplos concretos de implementação, refletindo sobre os desafios enfrentados para equilibrar o crescimento económico com a preservação ambiental e o bem-estar social. A publicação parte de uma perspetiva holística, considerando a responsabilidade social, económica e ambiental como pilares fundamentais para o sucesso das políticas de turismo.

O papel do indivíduo e o desenvolvimento de competências no turismo responsável

Um dos focos centrais da publicação é o papel do indivíduo, tanto enquanto gestor de turismo como enquanto consumidor, no processo de transição para um modelo mais sustentável. O capítulo de Helene Maristuen e Åsa Grahn sobre turismo acessível, por exemplo, sublinha a necessidade de garantir que todas as pessoas, incluindo aquelas com deficiência, possam desfrutar de experiências turísticas de qualidade. As autoras defendem que a acessibilidade é um direito fundamental e uma componente essencial do turismo responsável, capaz de enriquecer as experiências dos viajantes e, ao mesmo tempo, ampliar o apelo dos destinos turísticos.

Ainda neste tema, Rositsa Röntynen apresenta o projeto Steps Towards Responsible Tourism, que utiliza a aprendizagem integrada ao trabalho para fomentar a educação em turismo responsável. O objetivo deste projeto, que reúne várias universidades finlandesas, é capacitar trabalhadores e gestores no setor do turismo para que possam integrar práticas responsáveis no seu quotidiano. Este capítulo reforça a importância da formação contínua e do desenvolvimento de competências para garantir que as empresas e os destinos possam adaptar-se às exigências da sustentabilidade.

A importância da cooperação eficaz

O segundo eixo temático explora o papel crucial da cooperação entre diversos agentes na construção de um turismo sustentável. Gústaf Gústafsson analisa o caso da Hjaltadalur Travel Ltd., uma empresa de turismo na Islândia, que implementou uma abordagem participativa para envolver a comunidade local no planeamento e gestão das atividades turísticas. A sua análise revela que, ao equilibrar as relações de poder entre as partes interessadas — empresas, comunidade e turistas —, é possível criar uma experiência turística mais responsável, beneficiando tanto os residentes como os visitantes.

Kajsa Åberg, por sua vez, aborda a importância de adaptar os critérios globais de sustentabilidade às realidades locais. O seu estudo sobre a região sueca de Västerbotten demonstra que as iniciativas de turismo responsável só têm êxito quando consideram as particularidades regionais e são implementadas em colaboração com todos os stakeholders. Åberg destaca o papel das redes de cooperação, que envolvem diferentes setores da comunidade, desde o turismo até ao comércio e à educação, como elementos-chave para o sucesso do turismo sustentável.

Casos de estudo e exemplos práticos

O livro oferece uma ampla gama de exemplos práticos e estudos de caso, permitindo ao leitor compreender como os princípios de turismo responsável são aplicados na prática. Um desses exemplos é o caso do Parque Nacional de Southern Konnevesi, na Finlândia, analisado por Rositsa Röntynen. Este estudo demonstra como a criação de parcerias público-privadas e uma abordagem de cooperação podem maximizar os benefícios do turismo, minimizando os impactos negativos sobre o ambiente. A inclusão das empresas locais no processo de marketing e desenvolvimento do parque gerou um sentimento de pertença e envolvimento comunitário, o que resultou numa implementação mais eficaz das práticas de turismo responsável.

Outro caso interessante é o estudo de Astrid Laura Dam e Keld Buciek sobre a gestão de parques naturais na Dinamarca. Os autores exploram o papel do gestor de parques como mediador entre os interesses dos cidadãos locais, dos proprietários de terras e das autoridades governamentais, mostrando como o equilíbrio entre a proteção da natureza e o acesso responsável pode ser alcançado através de um diálogo contínuo e da criação de consensos.

Conclusões Relevantes

  • A acessibilidade e inclusão são componentes cruciais do turismo responsável. Oferecer experiências de qualidade para pessoas com deficiência não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas também uma forma de aumentar o apelo de destinos turísticos.
  • Educação e formação contínuas são fundamentais para o desenvolvimento de competências que suportem práticas de turismo mais responsáveis. A integração da aprendizagem prática e colaborativa permite aos trabalhadores do setor aplicar os princípios da sustentabilidade de forma mais eficaz.
  • Colaboração como chave para o sucesso: A cooperação entre os diversos agentes — empresas, comunidade, governo e turistas — é essencial para a implementação de práticas de turismo responsável. As redes de cooperação, que envolvem diferentes setores, permitem que soluções personalizadas sejam desenvolvidas para cada destino, aumentando as hipóteses de sucesso.
  • Embora os critérios globais de sustentabilidade sejam importantes, a sua adaptação às realidades locais é fundamental para o sucesso. O caso de Västerbotten, na Suécia, mostra que ajustar os critérios de turismo sustentável às necessidades regionais pode aumentar a eficácia das iniciativas.
  • Participação comunitária: O envolvimento direto das comunidades no planeamento e implementação de projetos de turismo responsável é fundamental para o seu sucesso a longo prazo, assegurando que os benefícios sejam partilhados de forma equitativa.
  • Equilíbrio entre turismo e proteção ambiental: O turismo responsável não pode existir sem uma gestão cuidadosa dos recursos naturais. A obra destaca que a criação de redes de cooperação e de parcerias público-privadas pode ser a chave para preservar o património natural e, ao mesmo tempo, desenvolver a economia local.

Link (pdf): Blinnikka, P., Grahn, Å., Gunnarsdóttir, G. Þ., & Tunkkari-Eskelinen, M. (Eds.). (2024). Responsible Tourism Best Practices in the Nordic Countries. Publications of Jamk University of Applied Sciences, 333.

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