As alterações climáticas representam uma ameaça crescente para o turismo global, afetando destinos, infraestruturas e padrões de visitação. No estudo “The Vulnerability of Tourism to Climate Change in Portuguese and Brazilian Cities—A Review”, Hélder Silva Lopes, investigador da Universidade do Minho e Diego Tarley Ferreira Nascimento, da Universidade de Goiás, analisam como as cidades de Portugal e do Brasil enfrentam os impactos das mudanças climáticas, identificando vulnerabilidades e propondo estratégias de adaptação e mitigação.
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| Ericeira (Portugal) Foto de Adam Hornyak na Unsplash |
O turismo e as alterações climáticas estão profundamente interligados. Por um lado, o turismo contribui para o aquecimento global, representando cerca de 5% das emissões globais de gases com efeito de estufa, especialmente devido ao transporte aéreo. Por outro, é um dos setores mais vulneráveis às consequências das alterações climáticas, como ondas de calor, inundações e aumento do nível do mar. De acordo com Lopes e Nascimento, “as alterações climáticas representam o maior desafio para o turismo sustentável no século XXI” (p. 1).
O estudo baseia-se numa revisão de literatura abrangente, analisando trabalhos publicados em bases como Web of Science, Scopus e Google Scholar, com foco em cidades de Portugal e do Brasil. Esta abordagem permitiu aos autores identificar os principais impactos das alterações climáticas no turismo urbano, bem como as lacunas existentes no conhecimento científico sobre o tema.
Em Portugal, o turismo costeiro e urbano é particularmente vulnerável. Estima-se que o país possa sofrer uma redução de 5% na procura turística em regiões costeiras nas próximas décadas, devido ao aumento das temperaturas e à frequência de fenómenos extremos, como ondas de calor e inundações em Lisboa e Porto. Além disso, a intensificação do efeito de ilha de calor nas cidades aumenta o desconforto térmico, afetando a experiência dos visitantes.
No Brasil, os desafios concentram-se principalmente nas cidades costeiras, que recebem cerca de 69% dos fluxos turísticos nacionais e internacionais. Destinos como Rio de Janeiro, Salvador e Recife enfrentam riscos significativos devido a inundações, deslizamentos de terra e erosão costeira. Como exemplificam os autores, “os eventos de chuva extrema causam disrupções nos transportes, fechando aeroportos e estradas, o que afeta diretamente a mobilidade dos turistas” (p. 3).
Apesar das diferenças regionais, ambos os países partilham desafios comuns, como a necessidade de mapear áreas de risco, melhorar as infraestruturas urbanas e implementar soluções baseadas na natureza para mitigar os impactos climáticos. Em Portugal, estratégias como a arquitetura adaptativa e a criação de refúgios climáticos já foram implementadas em cidades como o Porto, enquanto no Brasil estas medidas ainda estão em fases iniciais de desenvolvimento.
Os autores também destacam a importância de envolver as comunidades locais e os stakeholders do setor turístico na criação de estratégias de adaptação. Este envolvimento não só aumenta a eficácia das medidas implementadas, como também promove uma maior consciência sobre a necessidade de práticas sustentáveis.
Principais Conclusões:
- As alterações climáticas já estão a afetar significativamente o turismo em Portugal e no Brasil, com fenómenos como ondas de calor, inundações e erosão costeira a impactar destinos urbanos e costeiros.
- Portugal está entre os países europeus mais vulneráveis ao aumento das temperaturas, prevendo-se uma redução na procura turística em regiões costeiras.
- No Brasil, as cidades costeiras enfrentam desafios críticos devido à intensificação de eventos climáticos extremos, como chuvas torrenciais e deslizamentos de terra.
- Estratégias de adaptação, como arquitetura adaptativa, mapeamento de áreas de risco e soluções baseadas na natureza, são essenciais para mitigar os impactos climáticos.
- O envolvimento de comunidades locais e stakeholders é crucial para garantir a eficácia das estratégias de adaptação e para promover práticas turísticas mais sustentáveis.
Referência: Lopes, H. S., & Nascimento, D. T. F. (2025). The Vulnerability of Tourism to Climate Change in Portuguese and Brazilian Cities—A Review. Proceedings, 113, 4. DOI: 10.3390/proceedings2025113004

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