Em San Ramón de La Virgen de Sarapiquí, na Costa Rica, um programa de extensão universitária provou que aprender inglês pode ser tão importante para o turismo sustentável como preservar uma floresta. Ao aproximar a academia da comunidade e dar ferramentas linguísticas e de gestão aos residentes, o projeto não só atraiu visitantes, como reforçou a autonomia local.
No coração rural de Sarapiquí, a aldeia de San Ramón de La Virgen era conhecida pela riqueza natural que a rodeava — florestas tropicais, rios, biodiversidade única. No entanto, essa riqueza não se traduzia em rendimento para a maioria dos seus habitantes. A barreira linguística limitava o contacto com visitantes internacionais, e a ausência de competências técnicas dificultava a criação de negócios turísticos viáveis.
Foi nesse contexto que a Universidad Técnica Nacional (UTN) lançou um programa de extensão universitária que levou docentes e estudantes ao terreno. A estratégia era clara: dotar os moradores de ferramentas para participar ativamente no turismo local. A formação em inglês aplicado ao turismo permitiu que guias, anfitriões e pequenos empresários passassem a comunicar diretamente com visitantes estrangeiros, aumentando a sua capacidade de oferta e competitividade. Mas a intervenção não ficou pela língua: houve igualmente formação em gestão de negócios, atendimento, produção de materiais promocionais bilingues e criação de experiências turísticas assentes nos recursos endógenos — desde trilhas e observação de aves até eventos culturais que reforçaram a identidade local.
Ao longo do processo, a comunidade desenvolveu também planos de gestão ambiental para garantir que o crescimento turístico não comprometia o equilíbrio ecológico. O resultado foi uma transformação dupla: económica, pela entrada de novas receitas, e social, pelo aumento da autoestima e do controlo comunitário sobre o rumo do desenvolvimento.
A experiência de San Ramón deixa lições úteis para Portugal. Regiões de baixa densidade, como o interior do Alentejo ou a Beira Interior, poderiam beneficiar de iniciativas semelhantes, envolvendo universidades e politécnicos em programas de formação aplicada e apoio técnico. A integração de competências linguísticas, marketing digital e gestão sustentável de recursos locais poderia ajudar a diversificar a oferta, reduzir a dependência sazonal e criar emprego qualificado.
Principais conclusões
- A extensão universitária é uma ferramenta eficaz para capacitar comunidades rurais no turismo sustentável.
- As competências linguísticas, sobretudo em inglês, abrem mercados e aumentam o valor do capital humano.
- O turismo gerido pela própria comunidade reforça a identidade local e a aceitação social dos projetos.
- Modelos como o de San Ramón podem ser adaptados ao contexto português, especialmente em territórios de baixa densidade.
Referência: Molina Villalobos, T. G., Brenes Rojas, L., López-Estrada, P., Fernández-Mora, L., & Pérez-Hidalgo, E. (2025). Desarrollo comunitario, extensión universitaria y competencias lingüísticas en inglés como impulsores del turismo rural sostenible: el caso de San Ramón de La Virgen de Sarapiquí. Revista de Estudios Empresariales, nº 34(1), 131-150. Instituto Tecnológico de Costa Rica.

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