Olivoturismo: Revitalizar territórios rurais através da cultura do azeite

O artigo "Olivotourism as a tourist-cultural product and its influence on the dynamics of territories", publicado na revista Via Tourism, edição 25 de 2024, é uma investigação conduzida por Eunice Lopes e Pedro Martins, investigadores do Instituto Politécnico de Tomar. Este estudo examina o olivoturismo como um produto turístico-cultural e o seu impacto nas dinâmicas territoriais, com foco particular no município de Idanha-a-Nova, uma região reconhecida pela sua rica herança olivícola.

Lagares de Proença-a-Velha / Núcleo Museológico do Azeite) é um complexo museológico dedicado ao azeite, integrado na "rede" de museus do Centro Cultural Raiano, no Município de Idanha-a-Nova (foto Junta de Freguesia de Proença-a-Velha)

O cultivo da oliveira é uma prática que remonta a tempos antigos e está profundamente enraizada na cultura agrícola portuguesa. Nas últimas duas décadas, este setor passou por transformações significativas, impulsionadas pela modernização e aumento da competitividade internacional. Portugal, beneficiando de um clima e orografia ideais, tem investido em novas tecnologias e na criação de olivais de alta densidade, substituindo gradualmente os métodos tradicionais.

Neste contexto, o olivoturismo surge como uma prática inovadora que combina agricultura, natureza e turismo. Esta modalidade não só impulsiona a economia local, como também preserva a identidade cultural dos territórios rurais. As oliveiras e o azeite são elementos centrais na Dieta Mediterrânea, reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2013. O olivoturismo promove a sustentabilidade ao valorizar os recursos naturais e culturais locais, transformando antigos lagares em centros museológicos que dinamizam as áreas rurais.

Os Lagares de Proença-a-Velha, no município de Idanha-a-Nova, servem como estudo de caso exemplar nesta investigação. Eunice Lopes e Pedro Martins demonstram como o desenvolvimento de práticas de olivoturismo, em cooperação com agentes locais, pode revitalizar a coesão territorial. A crescente preferência por ambientes rurais e experiências autênticas, especialmente após a pandemia, sublinha a importância de estratégias que promovam a identidade local e a interação cultural.

Desenvolver produtos turísticos baseados no azeite e nas oliveiras não só amplia o conhecimento sobre estes produtos, mas também fortalece a ligação com a história e tradições locais. Essas estratégias são essenciais para a criação de novas relações sociais e para a inclusão e dinamização socioeconómica das regiões rurais. A prática do olivoturismo oferece experiências únicas aos visitantes, como visitas a olivais, participação em rotas gastronómicas e conhecimento sobre o cultivo da oliveira.

Os investigadores concluem que o olivoturismo, ao valorizar os recursos endógenos e promover a sustentabilidade, contribui significativamente para a coesão territorial e o desenvolvimento económico das áreas rurais. A sinergia entre turismo, sustentabilidade e coesão territorial deve integrar os recursos naturais e culturais, promovendo a inclusão social e a igualdade territorial.

Museu do Azeite em Bobadela, Oliveira do Hospital (projeto privado)

Em suma, o olivoturismo representa uma nova dimensão do turismo rural, capaz de revitalizar territórios através da valorização da herança olivícola, oferecendo aos turistas uma imersão profunda nas tradições culturais e gastronómicas de Portugal. Este estudo sublinha a importância de reavaliar e promover práticas turísticas que respeitem e preservem a identidade local, enquanto impulsionam o desenvolvimento económico sustentável.

Fonte: Lopes, Eunice, e Pedro Martins. "Olivotourism as a tourist-cultural product and its influence on the dynamics of territories." Via Tourism, vol. 25, 2024, disponível em journals.openedition.org/viatourism/11427.

Comentários