Autenticidade, paisagens alimentares e branding de destinos no Turismo Gastronómico

Publicado no último número da Revista Turismo & Desenvolvimento (RT&D), publicação do Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo da Universidade de Aveiro (UA), o artigo "Autenticidade, Paisagens Alimentares e Marca dos Destinos: Uma Reflexão no Contexto do Turismo Gastronómico" aborda a interligação entre turismo gastronómico, paisagens alimentares e autenticidade, explorando como estas dimensões fortalecem a imagem e a competitividade dos destinos. Assinado por Sandra Simões, Ana Paula Pais, Vera Margarida Cunha e Susana Vasconcelos, propõe novas abordagens para valorizar o turismo gastronómico enquanto ativo diferenciador e sustentável​.


O turismo gastronómico emerge como uma vertente essencial do setor turístico, onde a autenticidade dos produtos alimentares e as paisagens alimentares enriquecem a experiência turística e tornam os destinos mais apelativos. Segundo os autores, a alimentação no turismo é mais do que uma simples refeição; é uma ponte que conecta visitantes à cultura, identidade e história dos destinos. Com base numa revisão exploratória da literatura, o artigo apresenta uma reflexão teórica onde a autenticidade se destaca como conceito central, essencial para fortalecer a identidade e o branding dos destinos.

As autoras destacam que a autenticidade dos produtos e paisagens alimentares é cada vez mais procurada pelos turistas contemporâneos, que valorizam experiências culturais e sensoriais autênticas. A crescente tendência de “expansão do horizonte gastronómico” não só diversifica a oferta turística, mas também contribui para a governança e preservação dos territórios e redes alimentares, promovendo práticas éticas e sustentáveis​.

O artigo explora três temas principais no contexto do turismo gastronómico: a autenticidade, as paisagens alimentares e o branding dos destinos, destacando a sua interdependência e impacto no desenvolvimento de destinos turísticos.

1. Autenticidade como pilar do Turismo Gastronómico

A autenticidade no turismo gastronómico é abordada como uma experiência que vai além do consumo alimentar, envolvendo a perceção do que é genuíno e real num destino. Os autores referem que, para muitos turistas, uma experiência autêntica pode ser a interação direta com produtores locais, o consumo de alimentos cultivados na região, ou a participação em práticas culinárias tradicionais. Esta autenticidade, segundo o artigo, pode ser percecionada de diferentes formas: objetivamente, com base em critérios estabelecidos por especialistas; construtivamente, como uma interpretação subjetiva dos turistas; e existencialmente, quando o envolvimento com a cultura local proporciona autorrealização​.

2. Paisagens Alimentares como elemento de Conexão Cultural

As paisagens alimentares, ou foodscapes, são descritas como a conjugação de elementos físicos e culturais que moldam a identidade gastronómica de uma região. O artigo sublinha que estas paisagens não só influenciam a produção e o consumo, mas também integram a noção de identidade e cultura locais. No contexto do turismo gastronómico, as paisagens alimentares oferecem um cenário autêntico e atrativo para os turistas, que procuram experiências imersivas em lugares onde a alimentação e o território se encontram, unindo a biogeografia, os modos de produção e o património cultural.

Um aspeto curioso apontado pelas autoras é o impacto destas paisagens na memorização das experiências turísticas. Os turistas recordam de forma positiva os locais onde tiveram a oportunidade de consumir alimentos que percecionaram como genuínos e relacionados com o lugar, criando uma ligação emocional que contribui para a sua fidelização ao destino​.

3. Branding de Destinos: Potenciar a identidade gastronómica

No contexto do branding de destinos, o artigo discute como os atributos gastronómicos de uma região podem ser utilizados para criar uma imagem distintiva e atrativa, promovendo a competitividade dos destinos no mercado global. O branding não só apoia o desenvolvimento económico através da atração de turistas, também reforça o orgulho local e a identidade cultural, elementos cruciais para o desenvolvimento sustentável do turismo.

O estudo propõe que, para um destino se afirmar como referência gastronómica, é fundamental que os agentes turísticos integrem a gastronomia local nas estratégias de promoção, associando-a a eventos e atividades que valorizem os produtos regionais. Esta estratégia pode ser uma forma eficaz de atrair turistas interessados em gastronomia e que desejam vivenciar a autenticidade cultural e culinária do destino.

Insights:

  • Autenticidade e diferenciação competitiva: A autenticidade dos produtos alimentares e das experiências gastronómicas é essencial para a diferenciação dos destinos, reforçando a sua competitividade e atratividade.
  • Paisagens Alimentares como marca identitária: As paisagens alimentares são um recurso valioso para a promoção dos destinos, criando uma conexão entre o local e o turista que reforça a identidade cultural e a imagem do destino.
  • Estratégias de branding baseadas na gastronomia local: O branding de destinos pode ser eficazmente construído em torno da gastronomia local, integrando as tradições alimentares e a autenticidade como elementos centrais para atrair um turismo mais qualificado e sustentável.
  • Turismo Gastronómico como ferramenta de sustentabilidade: O turismo gastronómico, quando alinhado com práticas sustentáveis, contribui para a preservação dos territórios e para o fortalecimento das economias locais, promovendo uma interação mais consciente e responsável entre turistas e comunidades​.


Fonte: Simões, S., Pais, A. P., Cunha, V. M., & Vasconcelos, S. (2024). Autenticidade, Paisagens Alimentares e Marca dos Destinos: Uma Reflexão no Contexto do Turismo Gastronómico. Revista Turismo & Desenvolvimento, 46, 61-83. DOI: 10.34624/rtd.v46i0.34513. (link)

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